quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Infância.
.
.
.
Tu que me esqueceste,
esqueces que ainda me aquecem
as marcas que deixastes,
das lembranças de nós dois.

Tu que me aqueceste,
esqueces que ainda te aquecem
as memórias demarcadas
do que fomos nós dois.

E dessa nossa vida,
levo, sem furtar-te.
São minhas, desde criança

Tu ainda que vaga,
és lembrança.
Eu ainda que só, esperança.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Os atos.


Amar-te em ato
matar-te o ato
amar-te no mato
amar teu ato.

o ato de amar-te.
o mato para amar-te.
No ato que amaste.
Atar teu amar.

A frouxidão dos nós
que permite
o enroscar

é o mesmo espaço
permitido entre 
nossos amassos.

Mudanças.

Aprendo, esqueço, deixo passar ou friso.
Tem uma parte de mim que se esconde
quando me vê, talvez por medo ou sandice
outra parte se diverte com seus guisos.


A verdade é que nem sei quem sou
como me perguntas por que não mudar?
como me pedes para ser outro?
Então esse assunto desandou.

A vida e o rio de ontem
se foram há muito tempo
e já não suportam ninguém.

Nem quem fui
Nem quem sou.
tampouco serei.

Tua sede, minha fome.

À tua boca, meu desejo.
Ao teu corpo, minha sede.
E se és meu copo,
sede também meu prato.

Em nosso recato
o escândalo de ser
profanado e ungido
e assim permanecer.

E teu deleite
em minha fome
que te consome.

Fartas, minhas farpas
te cobrem e tu somes,
em nosso salivar.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Sem.

Sem tempo.
Sem espaço.
Se nada há
além de nós.

Nós intensos.
Nós castos.
Nosso estar
nos nós.

Há dúvida?
Não posso
nem duvidar.

Há certezas?
Só posso
perguntar!

domingo, 30 de outubro de 2011

Quando voltar.

Quando partir, nada levarei
porque nada tenho de meu
o que trouxe de certo
em alguma esquina se perdeu.

Quando partir, nem quero pensar
e, se pensar que minhas dúvidas
não me acompanhem para lá,
porque decerto, não quero voltar.

Ah, que sofrimento!
As dúvidas se vazio estarei
ou se lá permanecerei...

Assaltam-me, assaltam-me!
Como esvaziar-me de mim
se o que serei e sou, não sei?

Por que voltar?


Quanto parti, trouxe tudo que tinha
e nada por lá deixei que me lembrasse
de um dia voltar para buscar.
Nada trouxe que pudesse lembrar de lá.

Quando parti de lá, nem pensava
e, se pensava com certeza
não era em voltar àquele lugar.
Meus pensamentos, meus pensamentos?


Ah, que tormento!
Agora sei porque essa saudade
tanto me aflige meu calos!

Por lá, meus pensamentos
se os trouxe, incômodos.
Se não, preciso buscá-los!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

SAUDADES.


Saudades?
Estou morto, faz tempo, de não te ver!
A vontade já me domina e meu coração
Já não suporta tanto sofrer.

Saudades?
São o que me assalta longe de você!
Se não me elevam, nada me levam
só trazem mais entristecer.

Saudades.
Estúpida alegria de louco
que algum dia irei satisfazer!

Saudades.
Comoção tamanha e plural.
Ruim seria sozinho padecer!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Futuro ao ponto ou bem passado?

Estava a terminar o meu passado
quando percebi o inquieto futuro
que se mudava para o presente
deixando o passado mais próximo de mim...

Estava a alcançar meu futuro
quando percebi o presente
acompanhando meus passos

deixando o futuro mais distante enfim...

Alavancas e catapultas
motores e propulsões
que consciência, que ilusões?

Estou a morrer enquanto vivo
melhor ser mais rápido que o fogo
antes que esse bife passe do ponto.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ladra vida.


Estou de mal com a vida.
Essa ladra tem me consumido
vinte e quatro horas por dia
e meus anos não são devolvidos.


Estou de mal com a vida.
Essa maluca te me fugido
a cada ano, trezentos e tantos dias
e as décadas já as tenho esquecido.




Entretanto, não cesse teu ardil,
não me devolva do todo roubado,
nem um segundo fugidio.


Sendo minha inimiga frequente,
mas a tendo sempre em vista
permaneça roubando-me, eternamente.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Última vez

Hoje acordei pela última vez e espreguicei na cama até que o corpo já não conseguia mais espreguiçar.
Fui ao banheiro, tomei banho, escovei os dentes e fiz caretas ao espelho.
 
Saí de casa pela última vez, cheguei ao ponto de ônibus e o aguardei. Paguei minha última passagem e enfim, embarquei pela última vez.
Cheguei ao trabalho, registrei a entrada pela manhã, trabalhei, registrei a saída para o intervalo, conversei com alguns amigos durante o almoço, pela última vez.
 
Voltei ao trabalho, registrei a entrada da tarde, enquanto trabalhava fiz algumas piadas com os colegas do setor, recebi alguns telefonemas, fiz outros e falei com meu amor pela última vez.
Ao sair do trabalho, liguei para minhas filhas e registrei o ponto de saída pela última vez.
 
Decidi ir para casa caminhando. Muito longe, mas resolvi aproveitar a última vez e ver as pessoas nas ruas, passar pelos pontos de ônibus lotados, encarar os veículos que não param na faixa pela última vez.
Cansado, cheguei em casa e vi a lua no alto do céu. Entrei no Orkut, li scraps, acessei o hotmail, li mensagens, postei em algumas comunidades, escrevi em alguns de meus blogs, moderei alguns comentários e enfim decidi dormir, mas antes tomei banho e escovei os dentes e fiz caretas para o espelho, outra vez, pela última vez.
 
Deitei para dormir, pensando que amanhã talvez eu tenha oportunidade para fazer tudo novamente pela última vez!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Teu prazer.

Não quero que te sintas
pressionada a descalçar os pés
e andar por minhas costas desnudas.
Podes calcar teu salto.

Não quero que mintas
encabulada o prazer revés
que te dá ao sentir-se muda
esperando meu grito mais alto.

Se de dor ou prazer
que seja voraz.
Então que ei de fazer?

Implorar-te que me firas,
mas não me deixes ou que tenhas
comigo o zelo de quem se retira?

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Flor de lótus

A flor fêmea translucida tua alma
para meu corpo embevecer nas noites frias
e nas quentes que me encanta tua alegria
em perder-se em teus instintos de fêmea alfa!


Minhas palavras por mais belas
parecem grunhidos ou apenas gemidos
de um prazer escapado das celas
de minha garganta para teus sentidos.





Antes de te aprisionar,
aprisionou-me  tua sensibilidade
e tua capacidade de amar.



Antes de te perder,
ganhou-me o encanto aflorado
de tuas palavras a me enlouquecer!

Devoção incondicional.



A poesia desvela a alma tua,
ou simplesmente denuncia
a fêmea ante seu amado, nua
vestida apenas do que vicia.

Vestida do desejo e da paixão

ou do querer quase como um cobrar
Exalando por todos os poros, paixão
e quase se esgotando de tanto gozar!

Assim, fácil é ler tua alma

exposta em dígitos,
vogais e consoantes.

Difícil depois será

manter minha calma
sem nos tornarmos amantes!

Tua parte inteira.


Ainda não sei de fato
se sou a parte de mim 
quando desato em choro
quando partes enfim.


Ainda não sei de fato
se sou minha parte
quando não partes
e sorris a me puxar.


Se sou o que queres
ou o que abandonas
ou o que te segue.


Sei sem duvidar de mim
de nenhuma dessas partes
que inteiro existo para te amar.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Desejo estéril.

Enquanto te negas ao amor
derrama-te em desejos contidos
e em pensamentos proibidos
alimentas a chama sob teu pudor.

Este fogo denunciado
sob tuas faces pelo rubor
é meu prêmio desejado,
minha prenda de amor.

Se ao descreveres o que sentes
e desejas fazer e desfrutar
saibas que há muito estou a delirar.

Porque te faço minha todas as noites.
Porque te faço dona de minha corte.
Sinto nossos desejos em cada açoite.

sábado, 20 de agosto de 2011

A certeza cruel.

Todos os dias de você sair de casa
Parece que acontece tudo
A certeza é que acontece
Todas as vezes que você pega a estrada

Essa estrada torta que se insinua

Essa estrada larga que se inicia
Em sua porta tão curta e estreita
Em sua cama tão larga e macia

Essa vendedora lhe quer mostrar

E se insinua dizendo que pode amar...
Vende-se dizendo que pode se mostrar
E se desnuda dizendo que quer se explorar.

Todos os dias essa estrada a se mostrar
Parece que se inicia dizendo te amar
Todos os dias a porta pode te mostrar
A certeza que não se deixa explorar!

Tua carne


Quero morder teus lábios
com minha boca sentir teu gosto
Quero em meus ouvidos teu uivo
de fêmea, quando fores fluido
e apenas sussurro, que morras em mim.

Quero balbuciar teu nome
gutural e apaixonado, sentir
teu ciúme cravar em minha pele,
em meu peito e sibilares ,
em meu corpo que te entrego.

Quero sentir tua carne...
Quero sentir teu gosto,
gosto de teu suor e de ti,
quero tudo que não seja
também do melhor.

Quero no fim que me devores
E me regurgites, que explodas
E me ordenes que me afaste de ti
até que não suportes e me peças
para retornar a teu covil.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sete linhas.

Tu me quebras à sorte
E quando tenho certo a morte
dá-me solo para que me aporte
Faze-me protegido e forte
eleva-me a teu consorte
como se fosses a rainha na corte
eu a te oferecer nenhum norte.

Apenas um alquebrado amor
que guardado em mim com fervor
ofereço-te como louvor,
mas se o trouxe como protetor
é certo que em meu estupor
ante tua presença e esplendor
não o encontro em meu interior.


Onde guardei minha senda?
Terei perdido nas sendas?
Terei deixado cair em fenda?
Ou esquecido em alguma tenda?
Terei perdido tua prenda?
Como resolver minha contenda?


Dá-me tua mão.
Toca este zangão
que um dia azarão
encontrou em seu coração
esta sorte ou não
desse amor temporão!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Constatação.

Tu não te reconheces
e arfas.
Eu não me contenho
e avanço.
Não me prometes, nem exijo
juras.
Só me pego em desespero
à espreita.
Vezes tentas me controlar outras,
me tentas.
Eu não sei te instigar,
tento.
Se te tenho é porque
me tens.
Se me tens é injusto, mas natural.
És dona.